Forecasting impacts of climate change on Iberian biodiversity

Resumo

A Península Ibérica possui mais de 50% da biodiversidade Europeia. Uma parte desta biodiversidade encontra-se, actualmente, ameaçada pelas alterações climáticas e por modificações dos seus habitats. Será possível antecipar e mitigar estes impactos? O projecto AVALIAÇ ÃO DOS IMPACTES DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS NA BIODIVERSIDADE DA PENÍNSULA IBÉRICA (Iberia Change), promovido pelo Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, em Portugal (com financiamento da empresa EDP Electricidade de Portugal, no contexto da iniciativa “business and biodiversity”), e pelo “Ministerio de Medio Ambiente y Medio Rural y Marino”, em Espanha, pretende investigar os possíveis impactes das alterações

climáticas na biodiversidade de vertebrados terrestres da Península Ibérica no século XXI. Pretende-se ainda identificar potenciais medidas de adaptação para minimizar os impactes das alterações climáticas na biodiversidade analisada. Neste projecto utiliza-se, pela primeira vez, uma base de dados conjunta de clima e distribuição de espécies (concretamente 292 espécies de vertebrados) de Espanha e Portugal, para gerar conjuntos de modelos bioclimáticos, associando-os a três cenários de emissão e a uma série de modelos climáticos globais. Para diferentes condições iniciais (e.g. dez amostras de validação cruzada dos dados originais das espécies), classes de modelos (sete modelos bioclimáticos), parametrização de modelos (sete combinações de variáveis de clima) e 10 modelos climáticos para o futuro,  realizaram-se 7350 projecções por espécie, produzindo um total

de 2.146.200 projecções para o total das espécies consideradas. Apesar da incerteza inerente a este tipo de projecções, documentou-se uma forte e consistente tendência de contracção da distribuição potencial das espécies desde Sudoeste/Sul da Península Ibérica para Nordeste/Norte, verificada para a grande maioria das espécies. Consequentemente, projectaram-se elevados valores de “turnover” (e.g., alterações na composição potencial das espécies) que serão maiores na metade sul da Península do que na metade norte. A magnitude das contracções varia entre as espécies e grupos taxonómicos estudados, mas é alta para a maior parte delas. Considerando um cenário moderado de alteração climática para o período de 2051-2080, metade das espécies de anfíbios perderia mais de 30% da sua distribuição potencial, sendo este valor superior a 27% para os répteis, 63% para os mamíferos e 39% para as aves. Se for considerado um cenário de  lteração climática mais severo, metade das espécies de anfíbios e répteis perderia mais de 38% da sua distribuição potencial, sendo este valor superior a 78% para os mamíferos e a 56% para as aves. O nível de sobreposição entre as distribuições actuais observadas e as distribuições potenciais futuras também é variável. Com um cenário moderado, 22% das espécies tem uma sobreposição menor de 70% (valor mediano).  De acordo com a nossa análise, utilizando o modelo BAMBU, para 2051-2080, 60% das espécies estudadas poderá requerer medidas de adaptação específicas para compensar os impactos das alterações climáticas. A totalidade destas espécies poderá requerer protecção legal, selecção de novos espaços para conservação in situ e o desenvolvimento de planos de gestão específicos. Adicionalmente, 54% poderá requerer a criação de corredores de dispersão entre espaços bem conservados, e 46 % poderia requerer medidas de conservação ex situ.