Forecasting impacts of climate change on Iberian biodiversity

O Governo Português

A Península Ibérica – a nossa Península -, mercê da sua localização privilegiada numa encruzilhada de climas e do relativo isolamento biogeográfico, pode ser considerada uma das regiões de mais elevada biodiversidade, no contexto europeu. D

As alterações climáticas são um dos maiores desafios societais que a humanidade enfrenta. Conter as emissões globais a níveis que permitam o normal funcionamento dos ecossistemas obriga a uma cooperação internacional e conjugação de esforços a uma escala global nunca antes tentada. Mas as mudanças do clima estão em marcha e continuarão nas próximas décadas ainda que – como espero – sejamos bem sucedidos no desiderato de conter o seu avanço a níveis aceitáveis. Urge, portanto, estarmos preparados, anteciparmos os problemas e as  oportunidades que as alterações climáticas nos colocam e atuarmos o quanto antes nos domínios mais variados.

A Península Ibérica tem uma localização privilegiada na interface entre o Atlântico e o Mediterrâneo, com  influências passadas marcadas por uma presença ancestral de atividades humanas e uma especificidade  biogeográfica, de que resulta uma diversidade biológica e paisagística verdadeiramente únicas à escala Europeia. Apesar disso, ou também por isso, é hoje um dos territórios onde as alterações climáticas se farão sentir de forma mais marcada.

Conscientes desta situação, Portugal e Espanha acordaram, na XXIIª Cimeira Luso-Espanhola, cooperar na  avaliação dos efeitos das alterações climáticas sobre a nossa biodiversidade partilhada. O Acordo foi ratificado na XXIIIª Cimeira. Foi neste contexto que este estudo se desenvolveu, entrecruzando pela primeira vez a  informação disponível sobre a distribuição da fauna de vertebrados terrestres da Península ibérica, com os dados de modelos climáticos.

Considero por isso que os resultados agora publicados são uma ferramenta valiosa para a necessidade de tomar as melhores decisões em prol da conservação deste nosso grande legado natural. Para isso mesmo nos alerta este estudo: sem ações de adaptação muitas espécies verão os seus territórios potenciais reduzidos e a sua  sobrevivência ameaçada. Estes resultados estão já a ser analisados no âmbito da Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas e serão fundamentais na identificação das medidas de adaptação mais  urgentes para a nossa biodiversidade.

O trabalho que conjuntamente apresentamos constitui um bom exemplo de cooperação entre Portugal e  Espanha, visto que nele trabalharam técnicos de ambos os países numa experiência de cooperação multidisciplinar à escala luso-espanhola a todos os títulos frutífera e enriquecedora e que esperamos ver multiplicada noutras ações e noutros setores.

ASSUNÇÃO CRISTAS
Ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território de Portugal

e facto, orgulhamo-nos de partilhar este território afortunado com muitas espécies que só aqui existem, e sentimos uma responsabilidade acrescida na tarefa de preservá-las. Ao mesmo tempo, o território continental dos nossos países está também identificado como de particular vulnerabilidade aos impactes das alterações climáticas, de acordo com os cenários traçados para as próximas décadas. Conscientes desta situação, os Ministérios do Ambiente de Portugal e Espanha acordaram, na XXIIª Cimeira Luso-Espanhola, cooperar na avaliação dos efeitos das alterações climáticas sobre a nossa biodiversidade. O Acordo foi ratificado na XXIIIª Cimeira. Foi neste contexto que este estudo se desenvolveu, entrecruzando pela primeira a informação disponível sobre a distribuição da fauna de vertebrados terrestres da Península ibérica, com os dados de modelos climáticos. Os resultados agora publicados são uma ferramenta valiosa e necessária para que possamos tomar as melhores decisões em prol da conservação deste nosso grande legado natural.

Há muito que os dois Estados peninsulares se aperceberam que os valores naturais não conhecem fronteiras, e que por este motivo só uma política de conservação da biodiversidade bem planificada, articulada e executada poderá ser eficaz. Por isso mesmo, os nossos dois países cooperam activamente em matérias como a gestão de áreas protegidas transfronteiriças, ou a conservação de espécies ameaçadas tão emblemáticas como o lince-ibérico ou a águia-imperial. É também por isso que Espanha e Portugal se contam entre os países europeus que estão na linha da frente dos que pugnam por metas internacionais ambiciosas para reverter a perda da biodiversidade.

Deste modo, o trabalho que conjuntamente apresentamos constitui outro bom exemplo de cooperação ibérica, visto que nele trabalharam técnicos de ambos os países sob a coordenação de um Comité de Acompanhamento onde estiveram representados especialistas espanhóis e portugueses em conservação da biodiversidade, alterações climáticas e modelação climática. Em resumo, uma experiência de cooperação muiltidisciplinar à escala ibérica altamente frutífera e enriquecedora.

Esperamos sinceramente que, no contexto da adaptação dabiodiversidade às alterações climáticas, este estudo conjunto traga um contributo significativo para , uma melhor protecção do extraordinário património natural ibérico.

Dulce Álvaro Pássaro
Ministra do Ambiente e Ordenamento do Território de Portugal